A mania do ar condicionado

Os arubianos a-do-ram ar condicionado. E bem frio. Já cheguei a ficar com o lábio roxo no TGI Friday’s. Em qualquer lugar que você vá, o famigerado aparelho está ligado lá nas alturas: lojas, restaurantes, supermercados e até nos colégios. Todas as salas de aula têm ar condicionado, inclusive os pais tem que pagar uma taxa anual à parte para cobrir esse gasto.

Normalmente, nos estabelecimentos comerciais, a temperatura varia entre 17oC e 18oC. Considerando que do lado de fora, durante o dia, a temperatura sempre está lá pelos seus 30 e tantos graus, isso significa um belo choque térmico.

É algo bem típico daqui mesmo. Quando estivemos em Curaçao, não tive esse choque térmico em nenhum restaurante. Todos tinham ar condicionado em temperaturas agradáveis.

Isso eu aprendi meio que na marra da primeira vez que vim: peguei um belo resfriado e fiquei rouca durante as quase duas semanas que estive. E é assim que os turistas também aprendem. A idéia de trazer um casaco para Aruba parece estranha, mas é uma boa pedida, especialmente para aqueles que vêm com crianças. Assim que, para evitar surpresas desagradáveis nas férias, é bom ter um casaco guardado na bolsa para as crianças (ou até uma calça comprida, minha filha já gripou por estar de short e casaco num restaurante); para as mulheres, um casaquinho tipo da vovó e para os homens um moletom fino.

Água potável em Aruba

A água de torneira de Aruba não só é potável, mas também é de excelente qualidade e ótima para beber. Essa água que sai da torneira não é apenas purificada, mas sim destilada. Na verdade é a mesma água usada para fabricar a cerveja e os refrigerantes produzidos na ilha. Por ser de melhor qualidade que uma água simplesmente purificada, ela também é caríssima, mas isso é assunto para outro post.

Até um tempo atrás, não havia água mineral em Aruba, simplesmente porque ninguém via a necessidade. No entanto, muitos turistas não conhecem a qualidade da água arubiana e desconfiados, passaram a procurar água mineral nos supermercados. Foi então que a mesma empresa que fabrica cerveja e refrigerantes decidiu engarrafar a água que eles destilam e vender. Ela não é água mineral, nem tenta ser. O seu nome é AWA, ou água em papiamento. E nos supermercados também estão disponíveis algumas marcas de água mineral importada.

agua engarrafada

Se você vier para Aruba como turista, até pode comprar essa água simplesmente pela praticidade de ter uma garrafa para levar a outros lugares, mas eu não recomendo que ninguém compre por medo de tomar a água da torneira.

Outra coisa curiosa em Aruba a respeito da água é que aqui não existe água quente para tomar banho. Melhor dizendo, não existem chuveiros elétricos nem caldeiras de água. Pelo menos, eu nunca vi em nenhuma casa. A maioria dos hotéis têm caldeira mas alguns mais simples não e com certeza nenhuma pousada tem. Aqui se toma banho com a água que sai da ducha. Normalmente, se você espera alguns segundos, a água já começa a sair morninha.

ducha

Em julho e agosto, no alto verão, é quase impossível tomar banho antes das 18h porque a água sai quase queimando. Nessa época também é duro lavar a louça logo depois do almoço pelo mesmo motivo. Essa lógica só não deu certo em 2010, quando tivemos O Dilúvio. Graças ao fenômeno La Niña, choveu diária e torrencialmente por quatro meses seguidos e continuou a chover por três meses mais, só que já não todos os dias. Chegamos a ficar mais de uma semana sem ver o sol e a água quentinha sumiu. Aqui em casa, viramos todos gatos escaldados, passamos a tomar banhos rápidos, molhando o mínimo possível, hehehe.

A filhota voltou a usar a banheira (com água morna esquentada no fogão) que já estava aposentada há mais de um ano, porque não tinha quem a fizesse entrar no chuveiro. Como os meses foram passando e a chuva não parava, pensei em pedir que a minha mãe mandasse um chuveiro elétrico do Brasil, mas só então reparei que os banheiros daqui não tem instalação elétrica para por um.

De todos os modos, nos outros anos não tivermos La Niña e pudemos contar com água morna para os banhos.

Aruba e o reino holandês

mapa do caribe holandês

A Holanda colonizou seis ilhas no Caribe. Essas ilhas antigamente chamavam-se Antilhas Holandesas (os portugueses dizem Caraíbas) e a capital era a cidade de Willenstad, em Curaçao. Todos os habitantes dessas ilhas são holandeses, não existe uma nacionalidade ou um passaporte arubiano, por exemplo. Eles são holandeses e podem morar em qualquer país da União Européia.

As ilhas do caribe holandês são divididas em dois grupos, tanto geograficamente quanto culturalmente. As três ilhas do norte são pequenas ilhas vulcânicas e falam inglês. Sint Maarten é uma ilha dividida entre território holandês (a parte sul da ilha) e território francês, a parte norte da ilha que se chama Saint Martin.

As três ilhas do sul são as chamadas ilhas ABC: Aruba, Bonaire e Curaçao. Elas estão situadas ao longo da costa venezuelana (já houve época em que a Venezuela reclamou posse das ilhas) e compartilham o mesmo idioma: papiamento.

Aruba fez parte das Antilhas Holandesas até 1986, quando uma luta política de mais de cinquenta anos foi compensada com um status apart dentro do Reino Holandês. Isso significa que Aruba tem seu próprio governo e decide como usar o dinheiro dos seus impostos, mas continua fazendo parte do reino holandês. As outras ilhas continuaram a fazer parte das Antilhas até janeiro deste ano, quando as Antilhas Holandesas foram dissolvidas. Agora, Curaçao e Sint Maarten também tem um governo autônomo, enquanto Bonaire, Saba e São Eustáquio passaram a ser municípios da Holanda.

Atualmente, existe um movimento separatista grande em Curaçao. Esse  movimento apóia que Curaçao seja um país à parte e desvincule da Holanda totalmente. De momento, não existe nada parecido em Aruba, embora exista um partido político com posições bem “anti-Holanda”. Eu acho uma bobagem abrir mão da nacionalidade holandesa e de todas as vantagens do sistema de educação com seu sistema de bolsas de estudo para todos os jovens que continuam os seus estudos depois do ensino médio. Mas caso isso aconteça algum dia, nós já temos o nosso plano de escape: ou nos mudaríamos para a Espanha de volta e eu passaria a minha nacionalidade espanhola para a minha filha e meu marido ou eu passaria a nacionalidade só para ela poder ir estudar na Europa. 😉