Saúde

Em Aruba a saúde pública é não universal e não gratuita. Como assim? Ela não é universal porque não atende a todos, somente os residentes legais aqui. Se alguém estiver vivendo ilegalmente ou se um turista estiver de férias e precisar de atendimento médico, eles vão ter que pagar pelo atendimento. Não é gratuita porque é descontado um valor do salário de todos os trabalhadores. O percentual é aproximadamente 11% do valor bruto que a pessoa recebe. Ou seja, além de pagar os impostos normais e previdência social, desconta-se um valor à parte que se destina à saúde. As pessoas que não trabalham não precisam pagar nada.
O sistema de saúde funciona através de um seguro saúde que se chama AZW, que é uma abreviação para seguro médico geral. Todos os cidadãos tem que ter a sua carteirinha de AZW e quando você se inscreve no sistema, você tem assignados um médico de família, um dentista e uma farmácia. Você pode escolher todos os três e no caso dos dois primeiros, existem cotas e pode ser que algum deles não aceite mais pacientes.
O médico de família é a sua porta de entrada para qualquer problema de saúde que você tiver. Eles atendem também as crianças (ao contrário da Espanha, onde a criança tem um pediatra assignado). A princípio, eles atendem qualquer problema de saúde e encaminham para um especialista quando eles julgam necessário. Eles fazem o exame preventivo de câncer nas mulheres.
Aqui, como na Espanha e na Holanda, a rapidez com que eles encaminham para um especialista depende dele mesmo. Eu não tenho queixas da nossa médica de família em relação a isso: todas as vezes que precisamos, ela encaminhou para um especialista imediatamente. Foi ela quem me encaminhou para uma fisioterapeuta para cuidar da dor nas costas que eu tenho desde que nasceu minha filha. A minha médica de família da Espanha disse que eu teria que fazer tudo particular porque o sistema público de lá prioriza reabilitação de acidentados, enquanto aqui eu tive 3 meses de tratamento fisioterápico cobertos pelo sistema.
Todos os remédios receitados por um médico são totalmente gratuitos: é só levar à farmácia assignada, entregar a receita e pegar os remédios. Se o remédio não estiver coberto pela AZW, o médico pode propor um parecido ou perguntar para o paciente se ele prefere pagar pelo remédio. São raros os remédios que não são cobertos. Na farmácia, estão à vista das pessoas aqueles remédios que não necessitam receita. A variedade destes é pequena, sendo basicamente paracetamol, alguns xaropes, sabonetes e xampus. Se não estiver à vista, o remédio só é vendido com receita médica, nem adianta discutir. Por isso, se você toma medicação regularmente, é melhor trazer já na bagagem, porque aqui não funciona o jeitinho brasileiro para remédios.
Eu não conheço nenhum médico que não esteja dentro do sistema de saúde. Que eu saiba todos os especialistas atendem consulta particular também, mas acho que eles não sobreviveriam se tivessem  que viver disso. Os motivos que levam uma pessoa a pedir uma consulta particular são basicamente: imigrantes ilegais que não tem direito a saúde pública e o motivo da consulta ser estético. Por exemplo, eu paguei para ir ao dermatologista para cuidar de umas manchas no meu rosto, porque a minha médica de família não pode me encaminhar para um especialista para isso. O preço de uma consulta particular aqui varia entre 35 a 40 reais. Imagino que o espanto de um brasileiro lendo isso deve ser o mesmo que eu tive quando soube que minha mãe paga 500 reais para consultar uma especialista em São Paulo.
Em Aruba só existe um hospital e não existem todas as especialidades médicas (lembrando que a ilha tem pouco mais de cem mil habitantes). No caso de não existirem especialistas, o sistema de saúde oferece (e paga) para que alguns especialistas venham periodicamente à ilha. Por exemplo, minha afilhada tem um sopro no coração e ela é atendida por um cardiopediatra de Curaçao que vem a cada seis semanas para cá. Aqui não se fazem transplantes e os pacientes que necessitam são enviados para a Holanda, utilizando um acordo que o hospital tem com as companhias aéreas. Meu cunhado, que é diretor do departamento de nefrologia do hospital, vive com um bip o tempo todo. Quando aparece um rim disponível na Holanda, ele busca lugar no primeiro avião disponível e arruma para que o paciente viaje. A passagem e a estadia do paciente e de seu acompanhante na Holanda são totalmente pagos pelo sistema de saúde. No caso de pacientes de cardiologia e neonatologia, o acordo é com um hospital da Colômbia. Os pacientes são enviados para lá para operações como ponte de safena e sempre com direito a acompanhante. O hospital não tem um setor de prematuros, então se uma mulher entra em trabalho de parto antes das 37 semanas, é levada com ambulância aérea para que o bebê nasça na Colômbia e fique lá enquanto o bebê cresce e fica mais forte.
Em relação ao dentista, o maior benefício é para menores de idade. Eles têm direito a uma limpeza anual dos 4 até os 18 anos. As restaurações deles também são cobertas (os pais pagam uma taxa de uns doze reais por restauração) Se a criança for levada regularmente (a limpeza tem que ser feita em menos de um ano) e a criança precisar de aparelho, o governo paga a metade. A partir dos 6 anos, é feita uma aplicação de flúor anual. Qualquer tipo de cirurgia é coberto. Para os adultos, praticamente só é coberta a extração, cirurgias e próteses (nesse caso, o governo paga a metade). Em geral, o custo de dentista aqui também é menor que no Brasil. Ano passado, eu fui a uma consulta e paguei uns 80 reais pela consulta e a limpeza.
Em resumo, eu acho o sistema de saúde muito bom. Claro que tem as deficiências que um sistema de saúde público sempre vai ter: as consultas com especialistas e cirurgias demoram, por exemplo, e no hospital, se você quiser um quarto individual, tem que pagar extra. Mas, de uma maneira geral, o gasto com saúde nunca vai ser um problema na vida de alguém que mora aqui. Praticamente todos os problemas de saúde estão incluídos no seguro do governo e se não houver tratamento aqui, eles pagam para que você e um acompanhante viajem para outro país para obter esse tratamento.

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  5. Jairo, pelo o que eu entendi você é um médico, certo? Eu acho que o melhor caminho seria contactar o diretor do hospital Horacio Oduber. Ele é holandês europeu, o que significa que só fala holandês e inglês. Então você teria que escrever uma carta para ele. Ou melhor, vir para Aruba e tentar um contato com ele. Eu sei de casos em que isso deu certo e o hospital contratou médicos de fora, normalmente venezuelanos. Quando eu digo de fora, eu quero dizer não arubianos e não holandeses. Porque normalmente o que acontece quando eles precisam de especialistas, eles anunciam a vaga na Holanda. Para trabalhar em Aruba, no mínimo você tem que falar inglês e espanhol fluentes, para depois de um tempo aprender papiamento que é o idioma da ilha.

  6. Jairo Feliciano.
    É verdade, aqui a coisa ta feia, a corrupção rola solta e as pessoas padecem precisando se cuidar…tanto pelo SUS como pelos planos de saude…por isso estou me empenhando em mudar daqui, por isso que gostaria de saber como entrar no esquema de medicos especialistas prestando serviços.

  7. Que pena, Juli. Eu acho que uma boa saúde pública é essencial para qualidade de vida. É um item a menos para se preocupar.

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